Dados da Anac mostram descompasso entre o preço pago pelo passageiro e o custo do querosene, item que mais pesa no orçamento das companhias aéreas.
Enquanto o preço das passagens aéreas segue relativamente estável, o custo do combustível usado pelas aeronaves brasileiras disparou nos últimos meses. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil, a tarifa aérea doméstica média no Brasil foi de R$ 660,50 por trecho em junho, uma alta de apenas 0,3% na comparação com o mesmo mês de 2025. Já o preço médio do querosene de aviação, o QAV, chegou a R$ 5,66 por litro no mesmo período, um aumento de 57,6% frente a junho do ano passado.
Combustível segue como principal custo das companhias
Esse descompasso entre os dois indicadores ajuda a explicar por que o tema do combustível costuma ocupar espaço central nas discussões sobre o setor aéreo brasileiro. O querosene de aviação representa uma das maiores despesas operacionais das companhias, de forma que oscilações bruscas em seu preço afetam diretamente os custos das empresas, mesmo quando isso não se reflete de imediato no valor final pago pelo passageiro nas passagens.
Alta do QAV se mantém ao longo dos últimos anos
Para colocar esse aumento em perspectiva, os dados da Anac também mostram a variação em um intervalo maior de tempo. Em relação a junho de 2024, a tarifa aérea doméstica avançou 3,1%, considerando valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Já o combustível, no mesmo comparativo, subiu 34,1%. Esses números indicam que a pressão sobre o custo do querosene não é um fenômeno pontual de um único mês, mas uma tendência que já se arrasta há pelo menos dois anos.
Custos elevados influenciam o planejamento das empresas
Esse cenário de custos elevados no combustível tende a gerar reflexos indiretos na operação das companhias aéreas, que podem incluir ajustes na malha de voos, negociações de contratos de fornecimento e até mudanças na forma como as rotas são precificadas em diferentes épocas do ano. Ainda que o repasse desse custo ao consumidor final nem sempre seja imediato, especialistas do setor costumam apontar que oscilações prolongadas no preço do QAV acabam influenciando o planejamento de médio prazo das empresas aéreas.
Mercado internacional impacta o preço do querosene
Vale lembrar que o querosene de aviação está sujeito a variações internacionais do petróleo, câmbio e logística de distribuição, fatores que fogem do controle direto das companhias aéreas brasileiras. Isso torna o item particularmente sensível a eventos externos, como oscilações no mercado internacional de commodities ou mudanças na taxa de câmbio, que impactam diretamente o custo de importação do insumo utilizado pelas aeronaves no país.
Competitividade entra em debate
Esse tipo de pressão de custo também levanta questões sobre a competitividade das companhias brasileiras frente a concorrentes internacionais que operam em mercados com estrutura tributária ou logística de combustível diferente. Em alguns países, o preço do querosene é menos volátil justamente por conta de políticas de estoque estratégico ou de acordos de fornecimento de longo prazo, mecanismos que ainda são discutidos de forma mais tímida no Brasil.
Estratégias para reduzir o impacto do combustível
Para as companhias aéreas, encontrar formas de mitigar esse impacto costuma envolver estratégias como a renovação de frotas por modelos mais eficientes, a otimização de rotas para reduzir consumo e, em alguns casos, operações de proteção financeira contra a volatilidade do preço do combustível no mercado internacional. Nenhuma dessas medidas, porém, elimina totalmente a exposição do setor a esse tipo de oscilação.
Cenário exige equilíbrio entre custos e tarifas
Para o passageiro, entender esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo em um ano de crescimento na demanda por voos, os preços das passagens não sobem necessariamente na mesma proporção que os custos operacionais das companhias. Esse equilíbrio delicado entre despesas crescentes e tarifas relativamente contidas tende a seguir como um dos principais pontos de atenção do setor aéreo brasileiro ao longo dos próximos meses, especialmente se o preço do combustível continuar em trajetória de alta.











