Justiça americana libera projeto de oleoduto sob o Lago Michigan com participação de tecnologia brasileira

A liberação da Justiça americana para o oleoduto sob o Lago Michigan com tecnologia brasileira segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes.
A liberação da Justiça americana para o oleoduto sob o Lago Michigan com tecnologia brasileira segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes.

De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, uma reviravolta jurídica nos Estados Unidos marcou o reinício do projeto de substituição de sete quilômetros da Linha 5 do oleoduto da Enbridge, sob o Lago Michigan. A aprovação concedida pela Administração de Segurança de Oleodutos e Materiais Perigosos (PHMSA) é um marco para a engenharia. A decisão permite que a empresa canadense utilize a tecnologia patenteada da Liderroll para viabilizar a travessia submarina por meio de um túnel, método que foi validado e escolhido pela população local em audiência pública.

Qual a origem do impasse no Estreito de Mackinac?

O projeto de substituição da seção da Linha 5 surgiu após uma âncora atingir a tubulação original, causando danos e elevando o risco de vazamentos. As tubulações naquela área já acumulavam 65 anos de operação, o que motivou a proposta de modernização da Enbridge no final de 2018. O objetivo central é substituir os tubos antigos por uma infraestrutura nova e protegida dentro de um túnel de concreto, garantindo a continuidade do suprimento energético com padrões de segurança significativamente superiores aos atuais.

Apesar dos benefícios técnicos, Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que a proposta gerou indignação entre grupos ambientalistas e comunidades indígenas americanas. Os opositores argumentavam que a manutenção do oleoduto poderia aumentar o risco de derramamentos em uma bacia que fornece água potável para aproximadamente 40 milhões de pessoas. Essa pressão resultou em embates políticos e jurídicos intensos, levando a nova legislatura de Michigan a tentar cancelar o projeto anteriormente aprovado.

De que forma a decisão judicial favoreceu a Enbridge?

Após um período de suspensão das obras tanto na perna leste quanto na oeste do projeto, o Tribunal do Circuito de Michigan decidiu a favor da continuidade da construção. O parecer técnico da PHMSA foi determinante para assegurar que os trabalhos poderiam prosseguir com segurança. A decisão judicial desconsiderou as tentativas de bloqueio administrativo, reconhecendo que a integridade da obra atende aos requisitos federais de proteção ao meio ambiente e à infraestrutura de transporte de materiais perigosos.

O diferencial da solução brasileira reside na capacidade de lançar dutos em ambientes confinados com atrito reduzido e alta precisão. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que o uso de suportes especiais e métodos de lançamento patenteados isola a tubulação de impactos externos. Ademais, ao confinar o duto em um túnel centenas de metros abaixo do leito do lago, a tecnologia Liderroll elimina o contato direto com a água, oferecendo uma barreira física robusta que as instalações convencionais expostas não possuem.

Tecnologia brasileira participa do projeto de oleoduto liberado no Lago Michigan com Paulo Roberto Gomes Fernandes.
Tecnologia brasileira participa do projeto de oleoduto liberado no Lago Michigan com Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Qual o impacto da retomada para a economia regional?

A operação segura da Linha 5 é considerada vital para residentes e empresas na região dos Grandes Lagos que dependem dessa entrega de energia. Segundo o vice-presidente da Enbridge, Vern Yu, o reinício do segmento leste é positivo para a economia de Michigan, garantindo o fornecimento de matéria-prima essencial. A engenharia de ponta permite conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental rigorosa, transformando um ativo envelhecido em um modelo de infraestrutura moderna.

Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatiza que a seleção do método da Liderroll em audiência pública demonstra a confiança da sociedade civil em soluções técnicas transparentes e eficientes. Apresentar a viabilidade da obra de forma clara, foi fundamental para desmistificar os riscos apontados pela oposição. A expertise brasileira, já aplicada em túneis complexos como o Gastau e o Gasduc III, serviu como garantia de que a travessia de sete quilômetros sob o Lago Michigan poderia ser realizada sem comprometer o ecossistema local.

Quais são as perspectivas para a Liderroll no mercado global?

A consolidação da Liderroll como parceira estratégica em um projeto de tamanha sensibilidade política e ambiental nos Estados Unidos reforça a posição da empresa em 2026. Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, conclui que a inovação constante e o respeito às normas de segurança internacionais são os pilares da companhia. Portanto, o sucesso em Michigan pavimenta o caminho para novos contratos globais, onde a tecnologia brasileira segue sendo a principal referência para o lançamento de dutos em condições extremas e ambientes protegidos.

Autor: Jormun Baltin Zunhika