A infraestrutura aeroportuária local volta à discussão sobre o futuro da aviação brasileira, e Wander Aguilera Almeida, empresário e piloto de aeronaves, destaca a importância crucial de pistas, pátios e serviços em boas condições para a segurança e a regularidade das operações em regiões fora dos grandes centros. Em um país de vastas dimensões territoriais, os aeroportos regionais desempenham um papel crucial na integração de cidades médias, polos produtivos e regiões de difícil acesso.
O tema adquiriu novo impulso com a criação do Programa de Investimentos Privados em Aeroportos Regionais (AmpliAR), iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos. Na primeira rodada, realizada no fim de 2025, 13 dos 19 terminais ofertados foram arrematados. Em abril do ano de 2026, a concessionária do Aeroporto de Guarulhos formalizou a inclusão de 12 aeroportos regionais no seu contrato, com uma previsão de investimento de cerca de R$ 630 milhões em melhorias nesses terminais.
Espera-se que novas rodadas ampliem o alcance do programa. Ao longo deste artigo, veja como funciona esse modelo, o que ele pode mudar para a aviação regional e quais desafios ainda limitam a operação nos aeroportos do interior.
Como o modelo de investimentos funciona?
Muitos aeroportos regionais apresentam movimento insuficiente para se sustentar financeiramente, o que historicamente resultou em escassa manutenção e investimentos limitados. O AmpliAR visa resolver essa questão ao incorporar esses terminais a concessões de grandes aeroportos já existentes, compensando o déficit das unidades menores com ajustes nos contratos principais.
Os recursos alocados na primeira etapa serão destinados a pistas, pátios e terminais de passageiros, com foco em segurança operacional e qualidade dos serviços. Os aeroportos abrangidos estão localizados nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Tocantins e Mato Grosso, regiões onde a conectividade aérea é limitada.

Esses fatores, segundo Wander Aguilera Almeida, são determinantes na decisão do piloto, que deve levar em conta, na fase de planejamento de qualquer voo para o interior, o estado da pista, a sinalização, a iluminação e a disponibilidade de combustível.
O governo também prevê uma segunda rodada do programa e a inclusão de outros terminais regionais em contratos de concessão em renegociação, como o do Aeroporto de Brasília. O progresso dessas fases deve demonstrar a capacidade do modelo em atrair investimentos de maneira contínua.
O que muda para a aviação regional e quais desafios permanecem?
Aeroportos com infraestrutura adequada têm o potencial de atrair voos regulares, ampliar a operação de táxi-aéreo e facilitar o uso da aviação executiva e agrícola. Para as regiões produtoras, a melhoria da infraestrutura reduz o tempo de deslocamento de profissionais, técnicos e empresários, aproximando o interior dos centros de decisão.
Nesse sentido, Wander Aguilera Almeida destaca que a aviação desempenha um papel cada vez mais relevante na integração de um país cuja atividade econômica, especialmente no agronegócio, está distante das capitais e dos grandes aeroportos. Nessas regiões, um trajeto de poucas horas de voo pode substituir dias de viagem por estrada.
No entanto, os desafios enfrentados transcendem a obra física. Para que um aeroporto opere com segurança, é essencial que ofereça serviços de navegação aérea, informações meteorológicas confiáveis, abastecimento regular e equipes de apoio qualificadas. A ausência desses elementos pode resultar em uma pista reformada que não se traduza em mais voos.
A sustentabilidade econômica também é um tema em discussão. A atração de companhias aéreas para rotas de menor demanda depende de custos operacionais competitivos e de um fluxo constante de passageiros e cargas. Tendo em vista a avaliação de Wander Aguilera Almeida, a combinação entre investimento privado, planejamento público e demanda regional será decisiva para que o interior ganhe conectividade de forma duradoura.
Infraestrutura que encurta distâncias
A modernização dos aeroportos regionais representa uma oportunidade de ampliar a conectividade aérea em regiões que tradicionalmente apresentaram uma oferta limitada de voos. O modelo adotado no AmpliAR busca um equilíbrio entre a viabilidade econômica dos terminais e a necessidade de investimentos em segurança e qualidade.
Ademais, Wander Aguilera Almeida, empresário e piloto de aeronaves, conclui que o aprimoramento da infraestrutura no interior beneficia toda a aviação, tanto a regular quanto a geral, ao oferecer condições mais seguras de operação.
Os próximos anos demonstrarão se os investimentos anunciados resultarão em mais voos, novas rotas e maior integração regional. O resultado dependerá da continuidade do programa e da capacidade de alinhar infraestrutura, serviços e demanda.








